Kitty's Place

quinta-feira, dezembro 09, 2004

Servir ou ser servido?

Nunca achei que existissem pessoas para servir e outras para serem servidas.

Esta pequena frase recorda-me um certo episódio, que por certo já presenciaram, com outras personagens, com outro texto, porém, a mesma peça.

Trabalhava ali para os lados do C.C. das Amoreiras. Pressa para almoçar equivale a comida rápida, que tanto abunda por lá.
Estava eu na fila para comprar a minha sandocha com Coca-Cola (sim, eu prefiro Coca-Cola e não, não sabe ao mesmo que a Pepsi) quando me deparei com uma criança, sim porque não tinha mais de 11/12 anos, a rebaixar a operadora da caixa.
Abanando a sua nota de 10 contos (foi no tempo da velha moeda) e destilando a maior arrogância do mundo ridicularizou a pobre empregada, cuja função não comportava, com certeza, tal sujeição.

Já não me recordo das palavras proferidas. No entanto, sei que é uma daquelas cenas lamentáveis que assisti, que jamais hei-de esquecer, embora a recordação se encontre a maior parte do tempo adormecida.

A sensação de frustração cresce ao estarmos perante alguém que humilha outrem, sem razão, só porque se sente superior, só porque acha que os outros devem ser seus súbditos.

Não obstante a sua tenra idade a sua atitude denunciava “décadas” de prática na subjugação alheia. Devo lembrar que esta pústula de pré-jovem não se encontrava acompanhado de ninguém adulto.

E cá quem ainda tenha coragem de apelidar a minha geração como rasca... Olhe, rasca e com muito gosto!

E lembrei-me de tudo isto porquê? Quando fui colocar o carro na garagem, a meio da tarde, uma das empregadas tinha acabado de limpar o chão, ao pé dos elevadores, e fiquei cheia de remorsos de pisá-lo, ainda tão fresquinho... (apenas para matar a curiosidade de quem me pergunta de onde me vêem as ideias para os textos)

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