Kitty's Place

terça-feira, dezembro 28, 2004

Geração ?

A minha geração foi apelidada de rasca. Não me afecta. Provavelmente quem teve a brilhante ideia de tal rótulo sentiu-se amedrontado pela mudança que se alastrou desde esses tempos. A mudança, de facto, consegue intimidar – há que tentar desvalorizá-la.

Agora há telemóveis de terceira geração – telefonem quando estiverem na casa de banho, só já falta a parte da transmissão do cheiro –, leitores de DVD’s, PC’s, Internet, enfim, uma panóplia de coisas inimagináveis, até há bem pouco tempo atrás.

Consequências? Realmente é sempre bom as coisas evoluírem, mas será que é necessário que tudo evolua?

Não posso deixar de pensar, por exemplo, no Natal.
Também considero que o Natal se tornou em algo verdadeiramente monstruoso, cujo espírito se adulterou.
(Vejam também as opiniões do G. (no comentário ao post Feliz Natal), ou da Noguinhas ou do Marco, n'O Meu Caderno)

Lembro-me até hoje, com mágoa, do dia em que a minha professora primária nos disse categoricamente que o Pai Natal não existia e era pura invenção dos nossos pais.
Realmente tinha razão, mas será que estava no âmbito das suas funções esta revelação? Eu continuo a achar que não...

Nesse tempo apenas as crianças tinham direito a presentes e não a tudo o que queriam. Hoje em dia os pais, a avaliar por colegas meus, até lhes dão os catálogos de brinquedos, uma caneta e eles que façam as cruzes no que querem. No dia D, ou melhor, no dia N, lá está tudo debaixo da árvore.

Hoje todos recebem prendas, muitas vezes inúteis. Continuamos a dizer, cinicamente, que gostamos só porque parece bem.
Vive-se num mundo de aparências, em que temos pressa para tudo, não temos tempo para nada. Nem para ver que satisfazer todas as vontades das crianças não é benéfico. Como é que elas vão perceber que nem tudo está ao seu alcance, que há um limite? Há medida que crescem vão ficando cada vez mais exigentes. O que fazer entretanto? Abre-se a “Conta Poupança Natal”...

Outro aspecto que sobressai da questão da falta de tempo para tudo é a fast food. Caminhamos em direcção aos norte-americanos e ninguém parece muito preocupado. Hoje posso dizer que fiquei surpreendida quando ouvi uma criança dizer que, para si, o melhor do ano de 2004 tinha sido a sua festa de aniversário na Telepizza...

Portanto, vamos ter futuros jovens sem limites e obesos. Escrever, provavelmente, só sabem se meterem “k” em todo o lado. Na matemática é melhor nem falar...

O presente é rasca e o futuro, como será?!

2 Comentários:

Blogger marco said... (12:28 da manhã)

Boa questão, a de como será o futuro...

 
Blogger Kitty said... (1:18 da tarde)

Há que tentar o melhor que sabemos... Não será fácil.
Também os nossos pais o fizeram. Acho que não se saíram assim tão mal :D

 

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