Kitty's Place

segunda-feira, dezembro 06, 2004

Bastidores

Provavelmente ninguém irá acreditar em mim quando digo que a vida de uma vampira, nestes tempos modernos, não é nada fácil.
Todos nos vêem como os vilões da história, quando na verdade somos as reais vítimas.
Podem parar de rir... O assunto é sério. Não gostamos de falar nisto mas tenho que o partilhar com alguém, já não aguento mais.

Parem um segundo para pensar. Eu não consigo ver o meu reflexo no espelho! Como é que eu vou saber se estou bem, se determinado modelo me assenta que nem uma luva? Provavelmente pareço um saco de batatas, não tenho como o confirmar.
Pois, estou sempre dependente daquela gordurosa. Diz que estou bem, mas sabem como é, não dá para confiar. A inveja é mais que muita. Quantas vezes já lhe disse que estava um brinquinho e parecia uma porca horrível, uma verdadeira monstruosidade...

Já viram a contradição?! Tenho a vida eterna e de que me serve esta se vivo na dúvida de ser eternamente feia? Não sei, não faço a mínima ideia. Já me esqueci do meu aspecto. Tenho alguns esboços, mais nada. Espelhos, fotos, tudo inútil.
Maldita a hora que o outro estúpido resolveu morder o meu pescocinho. Nessa altura, há séculos atrás, as coisas não me pareciam tão más, mas agora... Quem é vai abrir a porta ou dar conversa a uma vampira mal amanhada? O aspecto é fundamental, nestes dias, não sabem o tormento que um vampiro passa.

Vocês acham que só saímos à noite porquê? É óbvio que já arranjamos formas de nos precaver da luz solar, embora com algumas restrições, mas não vale a pena. Isso poria a nu, ainda mais depressa, a nossa identidade. Pelo menos à noite todos os gatos são pardos...

Depois há a actividade, infelizmente vital, de morder pescoços. É um horror. Suja tudo. Acham mesmo que quero andar, por aí, a espetar os caninos em qualquer um? É a necessidade... Qualquer dia ainda levo é com uma estaca no coração. Já viram o meu pânico? Se isso realmente acontece viro pó e então aí é que todos me vão pisar, como se de um monte de lixo se tratasse...

Como eu sofro!

5 Comentários:

Blogger Kitty said... (11:37 da tarde)

Não pensem que a vampira sou eu! É apenas uma "estória"!

 
Blogger Nanita said... (3:16 da tarde)

O mal das eternas dúvidas nem é ser vampiroska... é ser gaja!
Uma pilinha simplifica muito mais as coisas :P

 
Blogger Kitty said... (3:52 da tarde)

Bom, para que não fiquem com ideias erradas, este texto nada tem a ver com a eterna guerra dos sexos...

É apenas ficção. Veio-me à ideia quando estava a ver a "Buffy" e quando um deles se olha ao espelho e não vê nada... Se não se vêem como é que se arranjam?!

 
Blogger Nanita said... (11:35 da tarde)

Vampira que é vampira já é por si sexy... se não o fossem como é que conseguiam morder tanto pescocinho?

 
Blogger Kitty said... (5:14 da tarde)

Ainda bem que colocas a questão dessa forma...

Confesso que ainda estou a acabar de ler "Dancas & Contradanças", da Joanne Harris. É um livro de contos e só me falta o último.

Após ter escrito este texto reparei que também ela já se questionou acerca deste assunto...
Nos contos ela tem sempre uma nota introdutória na primeira pessoa. No conto "Nunca beijes um vampiro...", que li hoje, ela faz a seguinte introdução:

"Quando escrevi o meu primeiro livro, The Evil Seed, impressionou-me o facto de a literatura de vampiros ser extremamente elitista. O cenário é sempre romântico. Os sugadores de sangue são invariavelmente atraentes, aristocráticos e elegantes. O que evidentemente levanta uma questão: onde estão os outros vampiros? Os vampiros simples e despretensiosos, os vampiros da classe operária, os vampiros com uma relações pública incompetente?"

 

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